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12 de maio de 2011

Só o tempo


Só o Tempo
Quem pode dizer aonde vai a estrada ?
Para onde vão os dias ?
Só o tempo

E quem pode dizer se o seu amor crescerá
conforme seu coração escolher ?
Só o tempo

Quem pode dizer porque seu coração suspira
conforme seu amor flutua ?
Só o tempo

E quem pode dizer porque seu coração chora
quando seu amor morre?
Só o tempo



Quem pode dizer quando os caminhos se cruzam
que o amor deve estar
em seu coração ?

E quem pode dizer quando o dia termina
se a noite guarda todo o seu coração ?

Quem pode dizer se o seu amor crescerá
conforme seu coração quiser ?
Só o tempo

E quem pode dizer aonde vai a estrada ?
Para onde vão os dias ?
Só o tempo

Quem sabe?
Só o tempo

3 de abril de 2011

Quedas da vida


Quedas da vida.

Costumava sempre correr rua abaixo. Com sorriso largo, inocência de uma criança de 6 anos. Pulmões cheios de ar, ilusões de uma vida sempre cheia de aventuras, felicidade. Ainda lembro minha mãe aflita a gritar da calçada: “Filho, cuidado pra não cair e se machucar...” Não demorava muito e sem cuidado algum, ali me jogava ao chão. Paralisava um pouco, sentia a dor física e em frações de segundos soltava o chora garganta a fora. Levantava-me, ainda com olhos mergulhados em lágrimas e corria para seus braços em busca de colo. Minutos depois, lá estava novamente correndo sem sentir mais dor alguma em busca de outras aventuras. Erguia a cabeça, estufava o peito novamente, aspirava o doce ar e me lançava.
Ah doce infância! Quantas vezes essas cenas se repetiram? Quantas quedas, quantas lágrimas e quantas marcas e cicatrizes que contam histórias engraçadas, alegres e inocentes? Inúmeras!
Hoje, a passos lentos, com certa e necessária malícia, ainda cometo essas quedas. Sou arremessado. A sensação é de uma queda livre onde cada rajada de vento me corta a pele. No momento não derramo uma lágrima e nem aguardo a fração de segundos para que isso aconteça. Levanto-me com os olhos secos, ora caídos, ora desacreditados. Sinto a dor. Agora não mais somente física e sim a dor da alma. Busco consolo. Sei que ela ainda está ali, mas o máximo que poderá fazer é passar a mão sobre minha cabeça e desejar: “Sorte filho, estarei sempre aqui por você! Andas... Tem um mundo ainda a sua frente te esperando. Não tenhas medo e não abaixe a cabeça nunca. Hoje tu és um homem e saberá levantar-se a cada queda”. Então, estufo o peito, aspiro o ar dolorido e me lanço novamente aos poucos.
Ah cruel vida! Onde tudo é tão grande, a noite é tão mais escura e o vento tão mais frio. Quantas vezes essas cenas se repetem? Quantas quedas, quantos olhos secos e quantas cicatrizes e marcas que contam histórias tristes e maldosas? Incontáveis!

27 de janeiro de 2011

Nós não mudamos




Hoje fiquei relembrando minha época de escola, Universidade e etc. Tudo era aparentemente mais simples, menos complicado. Havia mais leveza nas palavras, nas decisões, eramos mais livres, mais atirados, mais ao acaso! Pessoas vieram e se foram, deixaram seu tantinho de história, construindo e desfazendo laços. Arrancando risos e lágrimas. Eu até já ando cansado de dizer sempre: QUE ÉPOCA BOA QUE NÃO VOLTA MAIS! Tem uma letra de uma música que fala justamente sobre isso: One change Pas (Não não mudamos). Sim!!! Aqueles que ficaram não mudaram mesmo! Digamos que construíram apenas armaduras para enfrentar o mundo depois que deixamos nossos casulos. Que bom que ainda posso contar com amizades assim!

Nós Não Mudamos


Nós não mudamos...
Nós simplesmente nos vestimos com as roupas de outras pessoas
Nós não mudamos...
Um casaco apenas esconde um pouco daquilo que nós vemos
Nós não crescemos...
Nós apenas ficamos um pouco mais altos, nada mais.
O tempo de um sonho, de um pequeno sonho
E então tocá-lo com os dedos

Mas nós não esquecemos...
Da criança que permanece quase nua
Os momentos de inocência
Quando nós não a conhecíamos

Nós não mudamos...
Nós apenas fazemos caras e poses de combate
Nós não mudamos...
Nós apenas respondemos uns aos outros
Que nós acreditamos que fazemos escolhas
Mas se você arranhar bem perto da aparência,
Arrepia a pequena pessoa
que se assemelha a nós
Nós sabemos que há alguém aí
Nós ouvimos às vezes
Esta velha melodia insolente
Que insiste em se repetir
Oh, que jamais me abandona.

Nós nunca esquecemos...
Nós sempre temos um movimento
Que revela quem nós somos
Um príncipe ou um plebeu
Sob a coroa um olhar
Uma arrogância, uma feição
De um principe ou de um plebeu

Eu conheço isso muito bem
Eu copiei as imagens
E os sonhos que eu tinha
Todoas aqueles milhares de sonhos
Mas tão proximos de mim
Uma pequena e esbelta menina
caminha em Charlemagne, inquieta
E suspira para mim

Nós não mudamos...
Nós apenas nos vestimos as roupas dos outros, só isso
Nós não mudamos...
Nos apenas nos escondemos de nos mesmos por um momento

19 de janeiro de 2011

O amanhã é uma mentira


Estava hoje a escutar uma canção que me suscitou dúvidas sobre o amanhã. Confesso que fiquei meio "baratinado" talvez pela crença de que sempre há um amanhã que projetamos mas que as vezes não acontecem da mesma maneira que planejamos, sonhamos e idealizamos. Dai surge essa cruel dúvida sobre a existência de um amanhã.

O amanhã é uma mentira. (Composição: Krutoy Igor Fabian Lara)

Nunca, não devemos dizer nunca...
Nós não devemos planejar um outro dia.
O dia está aqui para tornar tudo claro.
Nunca, não deveria se render...
Um silêncio que é o desejo cego pelo medo,
Quando a fé transporta os nossos sonhos.
Secretamente, intensamente, com paixão

Amanhã é uma mentira..
O tempo só fica por aqui e agora.
O que você vê passando por,
É sua única chance de voar.
Amanhã é uma mentira...
Não importa quais são seus sonhos.
Você não pode esperar na fila
Hoje é o dia
Acredite no que você diz

Sempre, mantenha o coração em ação
Ande a sua vida através da paixão
Pense sobre o sonho
Nós somos o que pensamos
Sempre faça as coisas com devoção
Seus sentimentos são emoções
Uma luz brilhante foi lido
Através de e dentro da sua cabeça
Intensamente, apaixonadamente, evidentemente.

23 de dezembro de 2010

O tempo e a solidão

Sentada no batente em frente à casa, esperava por algo consolador. Havia chorado por noites. Olhava sem firmeza para o horizonte. O vento já enxugara as lágrimas que ainda restavam. E por mais que tentasse refugiar-se em pensamentos, a tristeza era sua única companhia. Anos e anos se passaram, e alguns ainda estavam por completar-se. Já não tinha a juventude de antes, mãos enrugadas e tremulas, pele pálida, corpo franzido e ainda as mesmas marcas. Vivia por viver mesmo, era a única razão que restara no momento.

O único amor que restava era pelas flores que ainda cultivava em um cantinho no quintal. Todos os dias as regava, conversava e se despedia. Eram as únicas a compreender a sua solidão.

À noite, pegava o seu casaco de pele, acendia o candelabro e relembrava suas noites em bordeis. Ao som de uma cantiga, bailava como se ainda sentisse o calor do corpo alheio tocar-lhe com força, rodopiando por todo salão e encantando quem ali estava. Num breve momento sentiu seu par conceder o prazer da dança a alguém conhecido. Alguém que acompanhara por todo esse tempo. O calor já não era mais sentido, um frio e um leve parar tomou a atmosfera naquela noite. Já não sentia mais desejo em continuar. Apagou com um triste sopro as velas e tomou-se a chorar.

Já estava acostumada com a sua presença, não emitindo qualquer palavra em retruco. Deitou-se então em seu canto ainda quente de noites passadas, esperando apenas mais um horizonte para olhar. E assim anoitecia, e a solidão a consumia. Nem lágrimas, nem flores enfeitarão a sua solidão.

E nem cruz, nem nome estarão no local onde a enterrarão!
Nem cruz... Nem flores...